26 de jan. de 2014

Um livre estrago.

São 05:55 da manhã
Estou me namorando.
Não trabalho amanhã
Não preciso comer
Não preciso me cuidar
Estou me namorando
E o namoro é estrago

Mas é tão diferente quando
Respondo por mim

Este meu estrago é só meu
Nínguem interfere nele
Dizendo que eu devia estar sóbrio
Ou ter mais cuidado
Ou entrar pra ioga
São exatamente 06:00 da manhã
E meu estrago é livre

Farei agora um brinde livre
Ao meu estrago e eu
Percebo que meu corpo pede descanso
E que o sol pede passagem
E busco uma cerveja
Para celebrar
O meu livre estrago

Nínguem pode interferir
Se eu me acabo

Dentro de tantos acordos
Interesses
Contas
Sonhos que me projetam
Faltas que me fazem creer
O meu estrago amigo
É o que me deixa livre

De morrer

Entre comer, devorar e o apetite.

Saí na rua depois de tanto tempo. Tanto tempo quanto nos provoca o Senêca:

  • Vamos, faz o cálculo de tua existência! Conta quanto deste tempo lhe foi tirado.

Hoje teci Vida entre os nós! E me lanço em conversa com o rapaz que carrega consigo o estigma do marginal. De cara este me pergunta: “vai querer o que?” Indicando ser uma relação de consumo entre nossos encontros. Ele realmente interpreta a margem e imagina que outro vivo de cultura diferente o vê assim também. No caso, o outro sou eu, ele não percebe que o eu é o outro.

Disse que não queria nada e que só vim lhe falar. Ele acha estranho e me pede um cigarro. Mas que porra é esta que nossas relações precisam ser do interesse? Lembro de Birman dizendo que nos atualizamos como sujeito a partir das conquistas impostas sobre o reconhecimento do outro. Sobre o outro. Na doença da modernidade precisamos do outro para manter um Eu. Triste eu, que está sempre sozinho.

Ainda assim insisti na conversa; carrego um tabaco no bolso que tensiona um hiato ao instantâneo e ofereço. Ele aceita dando tempo à calma... Aí mais tarde ele se apresenta e diz que se chama “Gigante” e assim quase faço um amigo. Mas já estou velho para isto! Estes montes de gente juntas tão distantes no estar. Como aqueles meus amigos que saem para dançar.

Eles vão para a noite e temem. Olham tantas mulheres se divertindo e as desejam. Ficam maquinando um passo para apressar algum esbarro. Um esbarro sem dúvida; pois nunca será um encontro quando tensionado deste jeito. Treina tuas frases e chega que, na minha opinião, vais ao encontro de estragar a ocasião. Existe muito desencontro no encontro. O acaso é o grão.

E um bom amigo diz que vai comemorar seu quarenta e onze anos! Está claro amigo que tu não te enquadra na mensagem social de um velho cinquentão. Tamanho vibra intensamente o teu viver. Cinquentão é só uma palavra que esquece o homem adulto, velho, criança, devir que somos. Me permita dizer em meu diário blog: Tenho quarenta e milhões de anos. Tenho zero e milhões de anos.


E se eu costumo dizer para meus amigos afoitos que tenho muita habilidade em encontrar (o par). Falo de um lugar de fora do ego e da experiência do meu corpo. Falo de um canto quase esquecido, onde parar, não se mover, significa destino. Não espero nada! Pense bem. Quantos homens como nós passaram na história? Uns comeram mais, outros menos. Você quer mesmo falar de comer, se nem apetite tens?

9 de dez. de 2013

2ª Tópica do amar

Bem-me-quer
Mal-me-quer
Bem-me-quer
Mal-estar
Bem-estar
Mal-me-estar
Bem-me-estar
Mal-me-quer
(Bem-me-quer, Mal-estar)

1ª Tópica do amar

Bem-me-quer
Mal-me-quer
Bem-me-quer
Mal-estar
Bem-estar
Mal-me-quer
Bem-me-quer
Mal-me-quer
Bem-estar
Mal-estar

10 de out. de 2013

Do pó do corpo ao pó do grafite

Tenho tentado investir nos meus estudos em ufologia
Não por que acredito
Mas porque os quero no corpo

E quando me perguntam se acredito
Sinto como se discutisse um sonho
Com certeza discuto o futuro
Mas não discuto os sonhos

Os sonhos são pequenos diante do mundo
poeira argila terra mundo
Então eu já lhe disse meu amor
Não viva pelo sonho

Não viva por nada
Ou viva apenas pelo nada
Porque sempre é o paradoxo que nos traz o vazio cabal?

Vazio todos sentimos
Teve um tempo onde o que mais corri foi dele
- E eu cheguei perto!

Quem esteve ali sabe
O louco, o vagabundo, o perdido
Palavras que carregam tanta força, fragilidade e inveja

Nunca precisei de evidências para o meu saber
precisei de Imaginação empática
Como não preciso de prova para saber que somos tão pequenos
Diante do espaço

A busca por ufos, galáxias e o Verso
Ameniza minhas dores banais
E me enche profundamente de esperança

Mas esta esperança que eu lhes digo não sente saudade do futuro
Ela é um ponto a frente do que está.

Sempre fiquei por aí
Em um ponto a frente no presente ou em um ponto atrás

Bem perto daquilo que não se pode responder, ler ou dizer
- Mas tentamos! -
Alma (aguá) ou espírito (sopro)

E ontem antes de dormir olhei para o céu e vi aquelha velha "panelinha" de infância
Aquelas estrelas em um quadrado perfeito
E quando criança - que é quando me fazia valer o olho - lembro de vêr as estrelas como um mero desenho

Normatizar as coisas é dom do humano
Uma tábula raza que se enche de conhecimento
E olha através deles

Uma vez ouvi de um chef de cozinha que havia tomado o desafio de servir pratos para crianças
Refutar
Porque a criança vê - come - enxerga - tudo em bloco
Não tem refinamento para identificar os detalhes

Pobres delas e felizes também

Pois pelos nuances perdemos o todo
E com certeza o todo é feito de nuances
Dificil não?
É o paradoxo do vazio completo

Mas eu não achei normal aquelas estrelas em formato tão organizado
Eu sei que há atração entre uma e outra, e que isto cadencia e rege o sistema
E isto é exatamente o que destrói um ser querer normal!

Pelo amor do universo!
Quando nos aproximamos de alguém também não sentimos o magnetismo poeiril?
Saber entender estas distâncias é sentir aproximar a pequena poeira cósmica ao todos

Mas estamos sempre a frente ou atrás do tempo

Eu mesmo que caminhei por estas águas
E digo sem receio que me misturei
Me sinto atrapalhado com este corpo
Sentindo morte e vida em mim

não sei o que serei
além de um mito forjado
perdido entre pecado e preconceito
de tantas palavras que sei - que é o minimo que posso dizer -
Estarei sempre na memória

até o fim

30 de ago. de 2013

Bonito é ser feliz

João Goma, ou Ganso como lhe chamavam, estava na cama com uma mulher pela primeira vez.
De fato esta mulher não era uma, ou mais uma, era Marta.

Ganso sempre amou Marta. Ele via ela sair do corredor do colégio com um sorriso leve de olhar ao encontro das árvores. Mal sabia ele que era o passarinho que Marta olhava, mas Ganso foi admirando aquela mulher com carinho.

Ele não procurou nada sobre Marta, se achava um intrometido ao menor saber controlado que tinha de sua amada. Para ele, Marta era tão doce como o caminhar da vida, que precisa aparecer nos detalhes. E foi depois de muito tempo que finalmente ele teve uma oportunidade.

Naquela viagem de turma, não sei porque cargas d´aguas o colocou ali, ao lado dela, em um evento qualquer de música alta. E os dois não estavam gostando. A turma estava, e logo se encarregaram de os deixar sozinhos, pois eles eram os chatos. Dois tontos, desgostosos com o entorno continuavam ali, para não fazer desfeita.

Quase não trocaram palavras.

Mas o que era carga pulou, e Ganso quando viu, havia tomado a mão de Marta e saído intrépido em meio as falanges dos tristes para um local com menos distúrbio. O tolo deixou pequenas e inúmeras ansiedades para enfrentar por inteiro a sua gigante e pertinente perturbação, o sábio.

E eis que agora estão na cama e ele falha. Depois de tudo, de tantas provas de que ele próprio não era para Marta: um canalha, um usurpador, um patife. Logo agora que o mesmo Agora foi descartado pelo momento de ser o Sempre.

Mas Marta desta vez era quem alimentava a chama tola da ampulheta. Aquela que perde o poder de ver a areia passar em virtude de manter os grãos no centro, no eterno girar do momento duradouro. E foi por isto que Marta o abraçou ainda mais, movendo assim seu encontro e sua satisfação para nada mais, que não seja seu..

o prazer.

21 de jul. de 2013

A tropa dos tolos.

O homem chega nos trinta e o tempo é outro. Trinta parece uma porcentagem confortável de ser. Mas pro homem que segue a linha do homem bom, é tarde. Ele, e eu, estamos cansados do mesmo sábado. Como é que suportamos afinal?

- O que esperamos do sábado, quando toda vez, esperamos igual?

Já pensou Guedes? Aquele tempo de tomar uma bala na cara que carregava o sábado inteiro por nós, já passou. Ainda estamos aqui no sábado. E há um divórcio e um casamento, porque hoje é sábado. E há mais de nove bilhões de pessoas (muito mais) que atravessaram o seu sábado como se este sabat de bruxas fizesse diferença pra qualquer alguém como nós (o todos qualquer).

Eu, e você, somos iguais(!) a qualquer destas tristes pessoas que na história não registraram o seu nome. E vou lhe dizer! Nem os que tiveram o seu nome lineados em bocas da história viveram melhor do que qualquer desvio! É só história pra contar! É só uma genitália para transar (Em um dia sabadal qualquer)! É só mais um dia para perder.

Mas viver mesmo é dentro de um verso tênue que quer mesmo se esquecer..

A viva delicadeza de uma mulher, em uma nupcia sem tempo com o íntegro desejo de manter do homem.. quem sabe casa uma paixão? Em pathos (patologia) a nos tirar os olhos de nossa neurótica compreensão do desejo brutal de "eu" e de "você".

Mesmo que seja tão tola como qualquer religião de amor. Nós esperamos mais homens que sirvam de ilusão, inconsequentes mas prestantes, a quem te queira, ser mulher.

28 de mai. de 2013

Quero que neste poema imagine você

Está em luto de um amor machucado, deixado na noite, quando aparece alguém. Inteligente que és o reconhece e sabes bem que é pessoa de bem. “Alguém!” - você diz; Que diz que vai ser singular no universo fechado dos “não são você”. Mas é má sorte de um prematuro parto.


Quem diabos iria querer nascer neste mundo de (a)deus; Apressado?!

9 de mai. de 2013

Uma história dobre minha vida de amor recente (A si Olvidar)

   Ou será que este sofrer de agora você pen(S)a. A paz aquieta o ânimo (nodicionário). E o ânimo é como faz falar a alma, o pulsar, a vida anímica, em suma: tua usina de força! E é assim velho. O que te faz pensar que era menos angustiado que os antigos? Nossa palavra nasceu bem antes, e caminhamos sempre tão distantes, daquele suspiro final. E é certo que ele será igual a qualquer outro que tiveres em vida.

   Trago sempre minha história e o convivio com meus amigos. Não sei se disse isto antes mas repito. Este cara comeu mulher demais. E eu lhe disse assim:

  • Amigo, acho que entre tantos homens que já vi, você foi o que de longe, mais comeu (defradou) as mulheres (silenciamente pensei: mastigou e cuspiu).
  • Pô G. Que isso.. você também é... (e aí tirei o ouvido pois não estabeleci ali um papo de vaidade)

   Quando o homem terminou o discurso lhe disse:
  • Não estava te elogiando amigo.
   Pois para mim este homem não vive. Segue o jogo posto de uma mensagem que circula e prende nossa já suficiente imbecil existência. Sei o que este homem quer, comer o suficiente hoje que se sente jovem, para quando viver o velho, dizer que existiu. Cruel que sou lhe disse assim:

  • Parece que hoje vive pelo amanhã, para amanhã viver pelo passado. Acho que assim, tu nunca existirá. (Mas em meu pensamento libertador disse-lhe assim:)

   Então já que lhe fiz faca a palavra, veja que há alma em teu corpo! Ou qualquer outro nome bagaceiro que lhe valha o ser. Sei que de vez em quando, esta força nos parece vir e que logo se perde. Mesmo que este fracasso se revele em dois ou dez anos você nunca perde o tempo..

Revele-se.

Esqueça-se.

Um tanto.

   Ou amanhã conta histórias de ontem, ou de hoje faz um ontem só para contar amanhã.