16/02/2012

Sobre premissas erradas

Meu planeta - meu país - meus filhos - meus amigos - meus pais
Minha vida - minha mulher - namorada - marido - meu trabalho
Meu lixo - minha casa - meus animais - minha saúde - minha arte
Minha morte

São premissas erradas.

Mas os vermes corrigem

05/02/2012

Coisas que aprendi por aí.

Não posso deixar de lembrar do começo. Um vivente angustiado, deslumbrado com o acontecimento, pelo menos naquela época. Hoje nos entusiasmamos do mesmo, amigo, mas deslumbrar-se é turvar a vista por demasiada luz. Uma das coisas que aprendi foi dos chineses, a muita luz é também como a escuridão, nos faz cegar.

Mas este parceiro me disse uma vez sobre nosso nascer conteporaneo. Quando somos cuspidos da casa do ventre, ainda temos liquidos engasgados e é preciso cuspi-lo para que possamos viver - se assim quisermos -. Mas há um política! Há uma policia! Não podemos morrer, a taxa de natalidade parece ser algo importante na ordem moral, e lá vão os insensiveis que se chamam de humanos - como se isto fosse mais que um trauma - a enfiar na garganta do entre (assim chamo os bebês) um instrumento de metal para que retire sua primeira intenção à vida.

Pois aí está! Nossa primeira castração. Perdemos a força inicial de escolher se realmente queremos sair do ventre. E muita gente não quer! E muita gente busca toda a vida para retornar ao ventre e portanto sem ter nascido de fato. E são feitos assim muitos dos casamentos, os namoros, as amizades e os suicidios (aqueles que são noticiados). Todos para o retorno desamparado do qual fomos expulsos. Não me surpreendem as histórias biblícas em fantasiar este movimento, o subjetivo é feito de fábulas.

Outra coisa que aprendi por aí é o esvaziamento de questões realmente significativas ao ser humano. Sobre "ser ou não ser" veja o posto abaixo. E hoje aprendi de um amigo que ficou até mais tarde sobre a frase "só sei que nada sei". Pois porque esta frase é destituida de sentido no hoje? Porque apenas a analisamos como fato histórico, porque diabos (me perdoe diabo) não nos reflete no corpo! Lembro que quando jovem, tinha um grande amigo que se achava grande em tudo.

Um dia lhe digo "cara, tu pilota muito bem". Afinal ele era realmente bom, andava de kart desde a infância e quando me chamava para sair, sabia que iriamos para todos os lugares e continuariamos dentro do carro. Nunca vi alguém gostar tanto do coche. Mas lembro perfeitamente ele me dizer "cara, eu não sou bom mesmo, falta muito". Pois veja, naquilo em que era bom, era humilde. E porque será? Lembro da carta do Hélio, o vagabundo, para o Amyr Klink (no livro paratii) a dizer que se achava dono do mar quando jovem e que agora sabia: Quanto mais se conhece o mar, menos se sabe dele.

Aprendi também por aí ao ver um amigo ao qual cresci muito com sua companhia dizer que na primeira cama com sua namorada a beijou e ela evadiu, fez massagem e ela não relaxou, fez oral, tentou o dedo, tentou um consolo até que emitiu o decreto: "desisto! já fiz tudo que podia". E me disse como se nela estivesse o problema. Lembro que pensei: pois é, mas uma mulher não se resolve fácil, uma mulher é muito mais do que abrir suas pernas - isto todos nós fazemos -, uma mulher precisa saber que estamos ali. E no estar, no ser, no afirmar a existência nunca se chegaria ao ponto de que fez tudo que podia, pois não há limite para o corpo.

E não há fim para o que nasceu infinito.

18/01/2012

Momentos

Não existem momentos marcantes
Na dobra sem Tempo do Tempo não há marcas
Mas vivemos por marcas
E morremos por elas

Se não temos marcas não somos humanos
Se somos humanos somos traumas no Tempo.

Eis a questão

14/01/2012

Dias de réveillon (como tu morreu?)

video

Vai dizer que tu guardou aquela grana só pro funeral?
Ou dizer que foi feliz ao lado dele até ser ex-mulher?

Diga meu amigo..

Vai dizer que a reza no escuro não te trouxe alguma paz?
E na escola descobriu de tudo aquilo nada aprendeu.

Diga meu amigo..
Como tu morreu?
Diga meu amigo..

Vai dizer que a perda do cabelo foi por causa do labor?
Ou dizer que toda louça que limpou nem era pra você?

Diga meu amigo..
Como tu morreu?
Diga meu amigo..
Como tu morreu?

19/10/2011

Todos é o verdadeiro nome de deus



Fiz questão de lamber uma poça de lama

Quando perdi o nojo de estar vivo

30/08/2011

O tenro e o terno.

Quando se descobre a lama ridícula que nos rege como norma é de se rasgar tudo. Cuspimos naquilo que tem como asco a própria saliva e saímos do laço. Não importa se temos amarras, se somos amarras ou se temos partido. Pois desta vez não devemos o lar; nós queremos o túmulo.

Pois é assim com quem se morre. Dificil é escolher viver depois de morto e há quem tenta se matar. Eu entendo a frustração, a decepção e a raiva de estar sendo enganado mas não dá pra cair no abismo traumatizado ou com esperanças de um sonho melhor. Não é assim para quem quer morrer.

Um paradoxo não é para quedas de doutrina declarada, o paradoxo é um ideal. Sei que não tem abraço mais terno do que o abraço da morte. E não tem vida mais tenra do que a vida de um homem. Somos facilmente partidos. Mas para se estar confortável com o abismo é preciso escolher partejar.

Partimos mesmo antes de estarmos mortos, é bom lembrar. Aposto que aquela mulher, aquele trabalho, aquele par te fez perecer. Mas nossa vida é tão traumática que não queremos nascer de novo. E se acreditamos em outra vida (póstuma ou passada) é também para não aceitarmos morrer por aqui.

Abaixo da terra os mortos brotam flores;
mas ainda não te vi florescer.

23/08/2011

19/07/2011

Contos do tredo

Conto 4:

Ela nasce no momento que entra por aquela sala. Seu corpo vira braços e se ela pudesse os acolheria no útero. Tem a voracidade de um buraco negro ao engolir o trabalho. Passa pela miséria como quem passa por um jardim. Poda as flores para lhes dizer que vivam. Naquela casa nunca soube o que é medo até sair da sala. Suas raízes estão no olho cego do jardineiro. O vil metal torce os braços para que se reduzam em adequação. Tudo vira desculpa para resignação.

Mas na selva, ninguém ama os bonsais.


Conto 5:

Naquela noite ambos tinham se divertido, conhecido pessoas e secretamente as desejado, esvaziando um pouco o peso de história que tinham. Na cama, depois do sexo, ela encantada com o vazio cabal em si, espontâneamente diz:

- Eu não espero que dure
- O que?
- Aconteceu de pensar assim
- Tu quer ficar sozinha?
- Não, eu vejo encontros contigo em mim
- Pois eu também
- Até onde nos imaginamos juntos?

Ela calou por um minuto e depois o abraçou. Enroscou o pau por dentro de sua virilha e ficaram ali até pegarem no sono.

Sabia que ainda precisavam um do outro.

18/04/2011

A bebida é a melhor amiga do homem; é a morte engarrafada.

Eu não pude deixar de reparar que aquela puta ficou tímida. Pediu uma bebida para ajudar a relaxar e depois já estava correndo nua em volta da piscina. Ela cobrava 250 reais mas estava ali de corpo presente. Não parecia que ela pensasse em seu filho em casa, ou no marido que a espancou, o pai, o tio, e depois o padrasto. Ela estava mesmo se divertindo.

Ao roçar minha barba nela eu soube que ia me apaixonar, e não podia mais dividi-la aquela altura. O seu corpo era trabalhador, pesado e magoado como se fosse apalpado por mil mãos ferozes - como a de um pai a corrigir os desvios no caminho do filho - Isto não sai. Mas tinha algo de ingênuo a vê-la saltitar. Pelada e com os cabelos no ar, não era a cena que me chamava, mas o que flutua.

Eu sei que em algum lugar daquela escuridão eu a encontraria em um pedaço intocável de pureza e virgindade, como Macário a execrar poesia. Eu queria lhe dizer "Você é absolutamente linda e eu te amo." Mas aprendi (por não estar pronto) de que não podemos desmerecer a força da passagem. Se eu assim o fizesse, seria criar ponte ao que é verso e desmantelar a colina que domina a praça de sua alegria.

Por isto eu tive de ir embora. Pois estás bem a aceitar a escuridão, e eu não, a aceitar a tua. Nosso encontro faria merecer a eterna companheira que me acompanha e te tirar a felicidade vívida de tua nudez. Então viva! corra e salte, pois tu és da vida mulher! E deixe que a morte proteja a timidez, como melhor amiga, no embriagar de uma garrafa.