6 de nov. de 2015

A Geisy Arruda é a Marlyn Monre brasileira

Fico pensando no simbolismo ético, estético e político que representa a Geisy Arruda
Uma celebridade (pois para mim dizer pseudo celebridade quer dizer uma celebridade inteira - um tremendo fracasso)
Pseudo em grego quer dizer falso
Pois esta celebridade se criou em um pedestal mediático a partir da defesa de uma minoria contrária a este mesmo pedestal
À publicitaram em odes e cantos minoritários defendendo o direito niilista de uma mulher vadia
De fato é uma merda uma mulher virar ou vender produto com seu corpo
Enquanto o homem (a) consome
Fico pensando se nós tornássemos os homens - gostosos e pelados - em nossas propagandas de cerveja
Apaziguaria o mercado para estas mulheres?
Até acho que sim
Mas não acho que isto restauraria o dano
Tornar ao ser humano
Homem ou mulher transformados em produto
Não nos salvará
Da doutrina moral que nos programa como máquina
O ser afeto
Pois a Geisy hoje se entrega pro view americano
Pro outro ver um perverso vil, ou quase engano
Defendida em sua mini-saia
Onde a roupa curta sagra a virtude do ser mulher
Mas na célebre Geisy corrompida no que tange a linha do tecido
Uma boceta fetiche capa de um playboy
Como a sem graça da Marlyn
Fabricada por senhores bestas
Dizendo que "a besta" era seu senhor
E a Monroe repetindo a mensagem dócil (de quem tem medo)
Criando signos para o mal
Repetindo aos seguidores que a vida
É de se abusar no gozo
Espalhando uma velada escravidão
Onde a mulher livre

É a mulher aberta.

9 de set. de 2015

O velho.

Estou envelhecendo.

Não escrevo mais em um blog esperando falar com alguém. Isto não é de menos valia como um tolo a afirmar sua vida pelos olhos dos outros (apesar de tolos desejarem sua afirmação ao outrem). Estou envelhecendo porque o velho é sozinho!

Continuo passando pelos mesmo lugares que tive com um póstumo entusiasmo e mesmo sabendo que o mesmo lugar é o todo, me sinto vazio. Que fez esta vida com meu corpo que não me deu retorno, não disse:

- você é isento de trabalhar o viver.

Agora me vem à mente uma frase do meu tio morto (e que morreu bem antes do acontecido) que diz "quando tu flerta com a vida a vida flerta contigo; quando tu deixa de flertar com ela, ela te abandona".

A vida do velho traz desafios para muito além de nosso cotidiano. O jovem transa no cotidiano. O jovem acha que terá muitas mulheres. Mas o fato é que para o velho só importa o tempo e não um argumento de contar a vida em nós.

Invejo qualquer ser sábio indiferente do seu tempo de idade, que olha para a realidade e planeja se matar. Ao mesmo tempo o desprezo, por este ruído cósmico intermitente em meu corpo-ouvido que grita calmamente dizendo que tudo está em seu lugar.

Maldito barulho pueiril. Que não ouvi. Que me pariu na poeira. Me fazendo olhar a estrela e desafiadoramente bravando:

-  Essa é nós.

11 de jun. de 2015

El estraño

- Ele tinha defeitos tão proeminentes e relevantes que não poderia  deixar de se achar alguém interessante.

13 de dez. de 2014

Se apaixonar é morrer em paz.

Dizem que a paixão acaba depois de um tempo
Mas eu sei bem que paixão vem de pathos
Como patologia que desvia nossa norma comum

Que nos altera à consciência da realidade
Nos tornando alienados e diagnosticamente
Doentes perante os normais

E também sei que não tenho mais jeito.
Uma vez destruído do que acreditei em minha verdade - e sobrevivi
Nunca mais ponho minha convicção no fogo

De fato, do árabe hatu, que compreende origem duvidosa
O fogo não tem razão a não ser seu ato pulsante
Rasgando as normas neuróticas de existir - no discurso que lhe chama de louco.

E assim sendo ato e não coisa
Me apaixonei por ela

Perturbada, traumática e doente
Apaixonada por mim vomitando seu desejo patológico

Já ha quase dois anos me projetando sua doença em forma de carinho
Ela não tem mais jeito de se curar
Este amor doente nos gruda como vicio

Sofro a dependência de uma eterna passagem incurável
Que não nos conta a vida em linha de bodas
Gira a ampulheta pra manter os grãos no centro

Destrói tudo que temos para depois criar
Como a natureza de um caos infernal
Que me abraça querendo me matar

Sentindo a morte em seus quadris
A fodendo como a última trepada
A morte de uma namorada me come sorrindo

 E na mente um mantra:
"se apaixonar, é morrer em paz"

13 de set. de 2014

Destino

Ele sabia que ia morrer cedo - e disse pra ela

Ela, seis anos mais velha que ele, viu-lhe no corpo somente a verdade – e se assustou

Naquele campo milagroso que tinha fantasiado sua vida, não tinha previsto tal final.

(Ele iria morrer antes)

Todo seu plano de parir os filhos junto dele agora mudavam de uma família completa para uma mulher viúva.

Viu o semblante intrépido de seu homem e sabia que estava diante de um destino consumado. A integridade serena com que ele caminhava era, o que afinal, a fez visualizar um futuro seguro.

Mas o presente agora lhe arrancava o sonho como um aborto; de sua própria expectativa

E ela chorou tanto; em falência de toda a razão que tinha projetado os dois unidos.

Somente uma frase diante da evolução ou suicídio:

- Mesmo os pares sinceros nos traem.

28 de jul. de 2014

Do pó do corpo ao pó do grafite (2)

Quando escrevo é da necessidade de deixar um testemunho. A força mais agressiva que debate meu corpo é que um dia deixarei de existir. Por isto escrever para mim é um grito fúnebre buscando o encontro epocal. Intento mostrar a intensidade que me surge a vida; tento deixar póstumo o que valeu e o que me matou em minhas idades.

Certamente o que me matou foram as contas. O emprego e a necessidade de ter de ser um sujeito prestável na roda capital. Mesmo que nestas pequenas batalhas do cotidiano sempre tenha vencido a dívida, fui fraco para deixar que mês em mês ela me maltratasse. Talvez este sofrimento foi o que me fez organizar para que isto não me vencesse. Como se isto fosse vitória...

Mesmo convicto de que todos morreremos em qualquer história que possamos ter. Fui um pai nobre em espirito, um amante zeloso, um militante excelente da permanente minoria social. Qualquer virtude ou maldade morrerá na história. Eis minha certeza!

O humano é como uma Vaca, um Braquiossauro (Aquele dinossauro gigante pacato e perfeito mascando o pasto). Somos passivos e frágeis. Tão perfeitos feitos assim. Mas de onde vieram estes senhores pensantes que odeiam qualquer partilha de encontro com um ser sem ambição? Que interesse podemos ter que seja mais quente que sentir em pele de bebê o tato do sol maior?

Diógenes, o mendigo, soube traduzir esta inversa relação entre os homens que tem tudo e os que tem interesses de tudo. Disse ele ao ser abordado por Alexandre (o rei da época) que lhe ofereceu qualquer desejo por acreditar em sua sabedoria:

- Eu tenho tudo e tu podes também. Desejo apenas que saias da frente, pois estás atrapalhando o meu sol.

21 de mai. de 2014

Uma carta para Max (em uma pausa de mil compassos)

Esta vai para este menino máximo, o Max! Carrega em si o super homem. De longe extrapola o normal. Extrapolar no dicionário quer dizer que excede os limites do bom senso. Prefere duvidar a tirar conclusões com bases limitadas.

E o bom senso a gente sabe que é sempre bem-vindo. Não tenta sentir o encontro que é somente vindo para nós e que pode sim ser mal encontro. Quem carrega esta mensagem comum onde tudo é esperado supõem-se o bem. Mas nem sempre é assim. Quem excede sabe que tudo é ilimitado. Mal encontro pode ser o teu bem-vindo, nossas esperanças são o fracasso do destino.

Mas ao lado das pessoas nosso corpo vibra. Ansiosas e interesseiras modificam o humor do louco. E este guri (me desculpe te chamar assim) vem me dizer que sente-se mal e se culpa da norma comum  do que lhe excede. Porque nós loucos, afinal, sofremos pelo dito e sentido por esta massa de gente segurando a mesma corda?

Eu sei que eles são demais em números. E depois ainda dizem que nós -que tentamos procurar todos os lado do leque- é que somos os estranhos. De fato somos, estranhos porque fugimos da norma, porque a vida é mais forte e dobra a razão de todas nossas esperadas verdades, constrangidas em uma mensagem civilizatória.

Quantos anos tens Max? Vinte e cinco? Vinte e quatorze (adolescente), vinte e doze (criança) ou vinte e eternos? Com qual calculo faremos a conta? Aposto que já viu um jovem carregar a sabedoria de um velho, como um velho a carregar a juventude imperecível. Salve Raul!

O Max, pra quem não sabe, toca o melhor teclado (órgão de um corpo sem órgão [para completar a poesia]) que já vi pulsar o jazz. Sorte tua rapaz! Tem este dom em tuas notas. Pois te digo que existem outros loucos estranhos, alienígenas para este mundo, que não carregam uma ferramenta que alcança o senso comum.

"Eu sou louco" ele me disse e entendi. Porque aprecio a perícia fenomenal que tens ao tocar teu som (que eu viajo no teu teclado). Tu mostra aquilo que para todo mundo é um sonho distante. Tu vai lá dentro do abismo inexplorado. Traz o infinito, um pedaço dele, escancarado ao ser ordinário que foi ensinado e ser sempre igual.

Obrigado Max e por favor,
não se sinta mal.

14 de mai. de 2014

A redenção de um demônio

De alguma forma sei que eles me agradecem pelo nosso encontro
Eu provoco
Eu sei que provoco

E não foram poucos que iniciaram alguma droga comigo
Ou os que não voltaram para casa no horário programado
Ou os que tiveram de faltar o trabalho matinal

Todo mundo falta
Um dia fica doente
Eu lhes disse:
Não há suposto mal.

Mas todos eles vomitaram no dia seguinte
E vê a merda
Depois me disseram que o mal-estar foi tamanho
Que sentiram-se tão mal
Que entenderam que o bom caminho era o seu antigo comum

Como os outros
Não entenderam que todo o vômito
É a maneira que o corpo reage para se perder de si:
Monótono, constrangido, moribundo.

Se no teu fim eu te chegar e perguntar assim:
Preferia vomitar teu corpo algumas vezes em busca de viver outros que pudesse ser?
Imagina em quem mais transformaria tua personalidade imutavel?
Ou preferia estar assim, agora morto de toda tua vida

Exatamente como te vi no passado.

7 de mai. de 2014

Uma oportuna de Niezche (em tempos de discussão sobre os macacos)

O que é o macaco para o homem? Uma risada ou uma dolorosa vergonha. E é isso mesmo que o homem deve ser para o super-homem: uma risada ou uma dolorosa vergonha.Haveis percorrido o caminho desde o verme até ao homem e em vós ainda há muito de verme. Em tempos, fostes macacos e, ainda agora, o homem é mais macaco que qualquer macaco.