5 de fev de 2012

Coisas que aprendi por aí.

Não posso deixar de lembrar do começo. Um vivente angustiado, deslumbrado com o acontecimento, pelo menos naquela época. Hoje nos entusiasmamos do mesmo, amigo, mas deslumbrar-se é turvar a vista por demasiada luz. Uma das coisas que aprendi foi dos chineses, a muita luz é também como a escuridão, nos faz cegar.

Mas este parceiro me disse uma vez sobre nosso nascer conteporaneo. Quando somos cuspidos da casa do ventre, ainda temos liquidos engasgados e é preciso cuspi-lo para que possamos viver - se assim quisermos -. Mas há um política! Há uma policia! Não podemos morrer, a taxa de natalidade parece ser algo importante na ordem moral, e lá vão os insensiveis que se chamam de humanos - como se isto fosse mais que um trauma - a enfiar na garganta do entre (assim chamo os bebês) um instrumento de metal para que retire sua primeira intenção à vida.

Pois aí está! Nossa primeira castração. Perdemos a força inicial de escolher se realmente queremos sair do ventre. E muita gente não quer! E muita gente busca toda a vida para retornar ao ventre e portanto sem ter nascido de fato. E são feitos assim muitos dos casamentos, os namoros, as amizades e os suicidios (aqueles que são noticiados). Todos para o retorno desamparado do qual fomos expulsos. Não me surpreendem as histórias biblícas em fantasiar este movimento, o subjetivo é feito de fábulas.

Outra coisa que aprendi por aí é o esvaziamento de questões realmente significativas ao ser humano. Sobre "ser ou não ser" veja o posto abaixo. E hoje aprendi de um amigo que ficou até mais tarde sobre a frase "só sei que nada sei". Pois porque esta frase é destituida de sentido no hoje? Porque apenas a analisamos como fato histórico, porque diabos (me perdoe diabo) não nos reflete no corpo! Lembro que quando jovem, tinha um grande amigo que se achava grande em tudo.

Um dia lhe digo "cara, tu pilota muito bem". Afinal ele era realmente bom, andava de kart desde a infância e quando me chamava para sair, sabia que iriamos para todos os lugares e continuariamos dentro do carro. Nunca vi alguém gostar tanto do coche. Mas lembro perfeitamente ele me dizer "cara, eu não sou bom mesmo, falta muito". Pois veja, naquilo em que era bom, era humilde. E porque será? Lembro da carta do Hélio, o vagabundo, para o Amyr Klink (no livro paratii) a dizer que se achava dono do mar quando jovem e que agora sabia: Quanto mais se conhece o mar, menos se sabe dele.

Aprendi também por aí ao ver um amigo ao qual cresci muito com sua companhia dizer que na primeira cama com sua namorada a beijou e ela evadiu, fez massagem e ela não relaxou, fez oral, tentou o dedo, tentou um consolo até que emitiu o decreto: "desisto! já fiz tudo que podia". E me disse como se nela estivesse o problema. Lembro que pensei: pois é, mas uma mulher não se resolve fácil, uma mulher é muito mais do que abrir suas pernas - isto todos nós fazemos -, uma mulher precisa saber que estamos ali. E no estar, no ser, no afirmar a existência nunca se chegaria ao ponto de que fez tudo que podia, pois não há limite para o corpo.

E não há fim para o que nasceu infinito.

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